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Close de um pente de memória RAM, mostrando os chips de memória soldados na placa verde
Foto: PantheraLeo1359531, CC BY 4.0
Mercado de importados

Crise global de memória RAM: por que celular, notebook e TV estão mais caros

Por Rian Gabriel

Se você notou que celular, notebook e até TV estão custando mais caro em 2026, não é impressão: existe uma causa técnica concreta por trás disso, e ela não tem nada a ver com imposto ou câmbio. É uma crise global de memória RAM (o componente que guarda, temporariamente, o que o aparelho está processando naquele momento), puxada pela corrida das grandes empresas de tecnologia por inteligência artificial.

O que está acontecendo

Só três empresas dominam mais de 90% da produção mundial de memória (a coreana Samsung, a também coreana SK hynix, e a americana Micron, dona da fábrica retratada na foto acima). Com a explosão de investimento em IA, gigantes como Google, Microsoft e Nvidia passaram a comprar praticamente toda a capacidade de produção dessas fábricas pra equipar seus data centers (os prédios cheios de servidores que processam a IA), deixando pouca sobra pra fabricar a memória comum usada em celular, notebook e TV.

O resultado é um caso clássico de oferta menor com demanda maior: o preço de um kit de memória RAM que era o item mais previsível do orçamento de um aparelho eletrônico virou, de repente, o maior vilão do custo final.

Vitrine com diferentes formatos de memória DDR5 da SK hynix, cada um com capacidade e uso diferente
Foto: 4300streetcar, CC BY 4.0

Os números da alta

A escala do aumento é rara mesmo pra um mercado de tecnologia acostumado a oscilar: em 12 meses, o preço acumulado de memória RAM subiu até 400%, segundo levantamentos do setor. Um kit básico de 32GB DDR5 (o padrão mais comum hoje) que custava perto de US\$ 80 no ano passado chegou a US\$ 439 em junho de 2026. Módulos DDR4, ainda usados em muitos celulares e notebooks de entrada, também subiram entre 120% e 180% no mesmo período.

Quanto isso pesa no preço final

Segundo estimativas de mercado, o repasse pro consumidor final gira entre 10% e 20% a mais no preço de um celular, e pode passar de 30% num notebook. Um notebook corporativo que custava R\$ 5 mil, por exemplo, pode fechar 2026 custando mais de R\$ 8 mil só com o repasse desse componente. No Brasil, o efeito ainda soma com imposto e câmbio, o que tende a deixar o aumento sentido por aqui ainda maior que a média internacional.

Quando isso deve melhorar

A resposta curta é: não tão cedo. Construir uma fábrica nova de memória leva entre 18 e 24 meses pra começar a produzir, e a demanda de inteligência artificial não dá sinal de desaceleração. Analistas do setor projetam que o pico da escassez ainda deve acontecer ao longo de 2026, com queda real de preço só a partir de meados de 2027, e normalização completa esperada apenas em 2028.

Na prática, pra quem está decidindo entre comprar um aparelho agora ou esperar: esperar não é garantia de preço menor tão cedo, porque a tendência apontada pelo mercado é de alta continuada, não de queda, pelo menos até a metade do ano que vem.

Fontes: TechTudo, Einerd e Canaltech.

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