
Dólar recua a R$5,15 nesta semana e pode baratear eletrônicos importados
Por Rian Gabriel
O dólar fechou a primeira semana de setembro cotado a R$ 5,15, o menor valor em várias semanas. A moeda vinha de uma sequência de quedas: caiu 0,36% na segunda-feira (31/08) e mais 0,47% na terça (1º/09), recuando desde o pico de R$ 5,20 registrado poucos dias antes.
A queda tem menos a ver com os Estados Unidos e mais com o cenário interno. Pesquisas eleitorais mostrando uma disputa mais acirrada, um resultado fraco do PIB do segundo trimestre (que aumenta a expectativa de novos cortes de juros pelo Banco Central) e o petróleo em alta, favorável a um país exportador de commodities como o Brasil, pesaram a favor do real nesta semana.
É queda relevante, ou só oscilação do dia a dia?
Olhando o histórico recente, a queda faz parte de uma tendência: o dólar rondava R$ 5,33 em julho e vinha operando entre R$ 5,14 e R$ 5,20 ao longo de agosto. Ou seja, R$ 5,15 confirma um movimento que já estava em curso, não é um salto isolado.
Mas analistas de mercado citados pela imprensa especializada apontam que setembro tende a ser mais instável: o Comitê de Política Monetária (Copom) e o Federal Reserve americano se reúnem no mesmo período, dias 15 e 16, e o resultado dessas decisões, somado ao noticiário eleitoral, pode tanto aprofundar a queda quanto reverter o câmbio para cima.

Por que o dólar mexe no preço de um produto importado
Produto trazido de fora, como celular, videogame ou peça de computador, é cotado em dólar desde a compra pelo importador. Quando a moeda americana cai, o custo de aquisição cai junto, e o mesmo vale para o Imposto de Importação: ele é calculado em cima do valor da mercadoria já convertido em reais no dia do desembaraço na alfândega, então dólar mais baixo reduz também a base sobre a qual o imposto incide.
O efeito, porém, não é imediato. Reportagens do setor estimam um intervalo de 2 a 3 meses entre a queda do dólar e a chegada de preços menores nas prateleiras, porque o estoque que já está na loja foi comprado com a cotação anterior, mais alta. Se o câmbio voltar a subir antes desse prazo, o efeito no preço final pode nem se concretizar.
Fontes: InfoMoney e Correio Braziliense.
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